Diálogo pela desaceleração

Aos poucos, felizmente, os amazonenses estão entendendo a necessidade do esforço mínimo pelo enfrentamento contra essa pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19). Nas ruas – ainda muito movimentadas -, o uso de máscaras já é percebido no rosto da maioria em alguns pontos da cidade. Infelizmente, a aceitação dessa verdade cresce à medida que o inimigo se aproxima das nossas portas, com dezenas de partidas diárias de conhecidos e de parentes de amigos.

Ainda assim, a batalha pela chegada do novo normal que se sonha, na pós-pandemia, ainda está longe. Os números diários – ainda subnotificados – mostram uma crescente de casos de contaminação e de óbitos. Por isso, se faz necessário lembrar que, os países que estão vendo a redução dos indicadores da Covid-19 são aqueles que reforçaram em todas as pontas as medidas de distanciamento social, até mesmo com lockdown (isolamento social total).

O Amazonas segue nas últimas semanas como um dos Estados brasileiros com um dos maiores nível de crescimento de pessoas infectadas e de mortes. Já ultrapassamos mais de 6 mil casos espalhados por todos os bairros de Manaus e 51 dos 62 municípios. O número de óbitos notificados – com grande grau de dificuldade – já passou de 500.

Somente em Manaus, o mês de abril revelou uma realidade cruel nos cemitérios públicos, com um volume de enterros quase 180% maior que o mesmo mês do ano passado. Enquanto em abril de 2019 ocorreram 871 enterros, em abril, no mesmo período deste ano foram enterrados (e cremados) 2.435 moradores de Manaus. A maioria dos óbitos identificados como causas desconhecida, insuficiência respiratória e pneumonia.

Diante dos dados alarmantes do nosso Estado e da nossa cidade, que começa a receber socorro com certo atraso, medidas mais duras de isolamento social são necessárias. Mas, nada de forma grosseira. Apesar de tudo, acredito que ainda há espaço para um diálogo entre governos, empresários e a população, a fim de se chegarmos a um grande acordo social e econômico de enfrentamento, com garantias mínimas de abastecimento por um período de 15 a 20 dias, como recomendam os especialistas. O isolamento social é algo difícil de aceitar, mas pior ainda é perder as pessoas que amamos. Por isso, um sacrifício a mais de todas as partes é importante nesse momento dramático que vivemos. Somente com ele que podemos desacelerar o nível de contaminação, e diminuir as estimativas oficias de óbitos para maio e os próximos meses. Eu acredito que esse entendimento é possível e sigo na torcida para que os governos não durmam no ponto. A crise de saúde e econômica são os maiores desafios de hoje, que devem ser enfrentados com coragem e transparência, sempre.

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