Há muito a se fazer

É inegável o crítico quadro da saúde no Amazonas. Quem frequenta os Serviços de Pronto Atendimento (SPAs), as policlínicas, os hospitais e maternidades já passava por imensas dificuldades de atendimento diariamente, com falta de material de saúde, equipamentos e medicamentos, além de centenas de profissionais insatisfeitos com salários atrasados.

É certo que, hoje, a pandemia da Covid-19 agravou a situação, sobretudo pela velocidade de contágio e a sua letalidade. Mas muito poderia e ainda pode ser feito para enfrentar o caos e cuidar adequadamente da população, além de diminuir a dor dos amazonenses que hoje velam as vítimas desse inimigo invisível, que não escolhe classe social.

Tudo é questão de vontade política e gestão. Quando governador interino, em 2017, eu conheci a capacidade do Hospital Delphina Aziz. Em parceria com a Organização Social responsável por ele, o governo poderia hoje celebrar um contrato emergencial temporário, com absoluta transparência, para ampliar o número de leitos de UTI.

Diante do atual cenário, o Amazonas precisa ainda utilizar de estruturas como, por exemplo, o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), que possui 147 leitos e 12 UTIs. A Beneficente Portuguesa poderia disponibilizar outros 60 ou 70 leitos, ao custo da tabela SUS, o que facilita o acesso aos recursos federais voltados ao combate contra a Covid-19.

Com a ajuda federal, é necessário abrir um hospital de campanha no interior, com o apoio de médicos das Forças Armadas. O Estado precisa ainda criar, urgentemente, uma estrutura para atender os profissionais da saúde que, na linha de frente, estão sendo infectados por conta da falta de Equipamentos de Proteção Intensiva (EPIs), mas acabam na fila comum. Nessa guerra, são muitas as alternativas aos governantes. A torcida é para que eles acertem a mão.

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