Por uma Manaus inclusiva

No mundo dos heróis das histórias em quadrinhos (HQs), a invisibilidade é para os amantes dessa literatura, um dos superpoderes mais incríveis. Afinal de contas, como não seria fantástico ficar invisível para ajudar a salvar o mundo dos supervilões? Mas, na vida real, a tal da invisibilidade é um problema social que causa muita dor a milhares de pessoas pelo mundo. Manaus, não foge a triste regra, principalmente quando falamos de pessoas com deficiências.

Para começar, apesar dos esforços feitos de tempos em tempos, a falta de acessibilidade para esse importante grupo da nossa sociedade é uma das grandes falhas do poder público executivo, a começar pela carência de calçadas. Trata-se de uma adversidade não apenas para as pessoas com dificuldades de locomoção, mas que prejudica outros heróis do mundo real como o idoso, a mulher grávida, a mãe que precisa carregar o filho no colo ou no carrinho, o jovem atleta com mobilidade reduzida, entre tantos outros cidadãos celebrados do direito de ir vir, com qualidade de vida.

Outra grande imposição da invisibilidade social às pessoas com deficiência, parte dos grupos econômicos dominantes, principalmente quando a pauta é o acesso ao mercado de trabalho, com dignidade. Apesar dos 29 anos da Lei número 8.213/91, que garantiu a reserva legal de cargos para esse grupo, são fortes os relatos que mostram que a inserção das pessoas com deficiência nesses espaços ainda é encarada por empresas como um mero e desconfortável cumprimento da Lei de Cotas.

Pela lei aprovada em 1991, as empresas com 100 ou mais funcionários são obrigadas a preencherem um percentual de 2% a 5% dos seus cargos com pessoas com deficiência. Pela força do preconceito, as pessoas que vivem na pele essas dificuldades de acesso, revelam que há muitas empresas que se limitam a fechar o quadro com menos de 100 funcionários, para não ter que contratar os 2% de pessoas com deficiência, enquanto há companhias que preferem pagar multa a ter que cumprir a reversa legal.

E quando a lei é cumprida, a maioria das vagas é para subempregos, nunca para gerências, coordenadorias, posição de liderança, mesmo com os muitos exemplos de pessoas com deficiências que conquistaram nas suas vidas, como verdadeiros heróis, um alto grau de escolaridade e capacitação.

A invisibilidade social imposta pela sociedade como subpoder às pessoas com deficiência deve ser tratada como um desafio a ser vencido por todos nós, uma vez que no Brasil, para cada 4 brasileiros, 1 possui algum tipo de deficiência. Mais do que um anseio popular, esse trabalho de inclusão social deve se tornar política efetiva de Estado, não de governos, a começar pela inclusão na escola, desde o ensino básico, com prédios acessíveis, professores e instrutores capacitados para lidar com as adversidades e garantir uma Manaus verdadeiramente inclusiva.

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