Produzir o próprio peixe

A alimentação saudável é, hoje, um dos maiores desafios da humanidade. O planeta vive na esteira de uma crise sobre o entendimento de produzir alimentos em escala global, para atender a gigante massa populacional, ao mesmo tempo em que precisa se ajustar para combater as mudanças climáticas, cujos efeitos já são sentidos de forma dramática em vários centros do Brasil. Diante disso, como pensar em alimentar a população sem engrossar a crise climática?

Em Manaus, um passo importante pode ser dado nos arredores da área urbana da nossa cidade. Temos, atualmente, comunidades como os ramais do Brasileirinho, Ipiranga, Pau Rosa, na estrada, o Bom Sucesso, no rio Amazonas, e outras na região do rio Negro, povoadas por milhares de famílias que vivem à custa do pouco que conseguem produzir na agricultura e vender para a zona urbana, que é abastecida em mais de 90% por produtos importados de outros Estados.

O peixe, considerado um dos alimentos mais nutritivos e saudáveis, é um dos principais produtos que chegam à mesa do manauara, mas é produzido em grande escala em estados como Roraima e Rondônia. Então, por que uma cidade com imensa área rural, habitada por milhares de famílias produtoras, não produz esse alimento para Manaus e para o mundo, atendendo gigantes mercados como a China?

Como sempre digo, penso que falta nesse quebra-cabeça um pouco de visão estratégica e vontade política para realizar um programa de gestão territorial rural. Falo de manejo integrado das áreas produtivas da zona agrícola de Manaus, a fim de fomentar a produção de peixes de interesse regional, nacional e internacional. Desse modo, podemos usar áreas abertas para criar tanques de produção de peixes. Assim, mantemos as áreas de floresta preservada e nos transformamos em um dos maiores produtores de alimento saudável do mundo.

David Almeida

deputado estadual da 15ª a 17ª legislatura, governador do Amazonas em 2017 e presidente estadual do partido Avante no Amazonas

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